Terreno de afirmação de identidades
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Na sua actual forma de organização, o futebol oferece - dos campeonatos
corporativos e regionais ao Campeonato do Mundo - um terreno privilegiado à
afirmação das identidades colectivas e dos antagonismos locais ou regionais. É,
sem dúvida, nessa capacidade mobilizadora e demonstrativa das pertenças que se deve
procurar as razões da extraordinária popularidade deste desporto de equipa, de contacto
e de competição. Todos os encontros entre cidades, regiões ou nações
rivais assumem a forma de uma guerra actualizada onde não faltam os hinos, as fanfarras militares,
nem as bandeiras dos adeptos, os quais formam aliás grupos de apoio com nomes como
«brigadas», «comandos», «legiões» ou «falanges de
assalto». No entanto, esta função de celebração das pertenças
não dá conta, por si só, da tensão que se exerce sobre um jogo nem da
virulência dos comportamentos.
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«Este Futebol vive da boa vontade»
Os campeonatos de futebol não são só a primeira divisão.
Fomos dar uma olhadela ao Campeonato Distrital e ao Campeonato Amador. Vimos alguns jogos, ouvimos
o público, soubemos dos problemas, dos anseios, das necessidades de dirigentes, treinadores
e jogadores. Tudo se resume a «Este futebol vive da boa vontade e quem anda por gosto
não cansa».
«Cai logo em cima, pá!». Hoje está vento e este pó que
se levanta do campo torna a modalidade quase impraticável. «Estou, estou. Passa. Deixa.
Bem jogado. Vai». O público, nestes gritos de orientaço á equipa que
apoia, mantém uma calma aparente. Vagueiam seis polícias junto ás linhas
laterais, três de cada lado, não vá em algum lance mais duvidoso entrar
alguém no pelado. Aqui é só saltar um pequeno muro. Não há redes.
Tudo é jogo. Há o jogo dos jogadores, o jogo do árbitro, o jogo das palavras
do público. «Despacha, despacha». E na bancada todos são treinadores.
«Olha aqui um... Não estás a ver pá?!? Eu não disse?».
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